Diploma não se desfaz. Mesmo assim, 33 parlamentares declararam ao TSE curso superior completo numa eleição e incompleto numa seguinte. Em cada caso, uma das duas declarações é falsa.
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“Presidente Lula, volte aos bancos escolares”
Bibo Nunes mandou Lula voltar “aos bancos escolares”. Lula declara ao TSE o mesmo grau desde 1994. Bibo declarou superior completo em 2014 e 2016, incompleto em 2018 e 2022, completo em 2026.
A ficha de Fabinho Ramalho no TSE em 2026 diz superior incompleto e ocupação advogado. A lei só inscreve como advogado quem tem “diploma ou certidão de graduação em direito”. Uma das duas informações está errada.
“Notória ignorância”
Bibo Nunes declarou ao TSE curso superior completo em 2014 e incompleto em 2018. Diploma não se desfaz: uma das fichas é falsa. Em 2024, na tribuna, mandou Lula voltar “aos bancos escolares”.
Lula declara ao TSE o mesmo grau desde 1994. Bibo Nunes, que o mandou voltar “aos bancos escolares”, declarou superior completo em 2014, 2016 e 2026 e incompleto em 2018 e 2022.
Na tribuna, Bibo Nunes perguntou aos estudantes se nem o ensino superior incompleto queriam. No TSE, declarou superior completo em 2014 e 2016 e incompleto em 2018 e 2022: uma das fichas é falsa.
“Todos eles apoiam a sua reeleição, sim ou não?” x “O voto é secreto, Presidente.”
Senado, 20/5/2026. Kajuru pergunta se os prefeitos e vereadores de SC que Esperidião Amin acabara de nomear apoiam a reeleição dele. Amin: “O voto é secreto, Presidente.” (Risos.) Em outubro, Amin ficou em 3º em SC, fora do Senado.
“Tenho certeza [...] de que V. Exa. [...] retornará aqui ao Senado”, disse Chico Rodrigues, presidindo a sessão, a Esperidião Amin, em maio. Em outubro, Amin ficou em 3º em Santa Catarina, e Chico Rodrigues, em 4º em Roraima.
Perguntado no Senado se os prefeitos e vereadores de SC que ele acabara de nomear apoiavam sua reeleição, Esperidião Amin respondeu duas vezes: “O voto é secreto”. Em outubro, ficou em 3º em SC e não volta ao Senado.
“Eu sou a Senadora mais bonita do Brasil.”
Senado, 25/9/2026. Izalci Lucas chamou Damares Alves de “minha querida amiga e nossa Senadora Damares”. Ela: “o senhor se esqueceu de informar ao Plenário que eu sou a Senadora mais bonita do Brasil.” Ele: “Desculpe, Senadora.” Ela: “Por enquanto.”
Damares Alves cobrou de Izalci Lucas, que presidia a sessão do Senado, o título de “Senadora mais bonita do Brasil”. Nove minutos depois, ele corrigiu: “Parabéns, Damares – vou corrigir aqui –, a Senadora mais bonita. Eu me esqueci de falar esse detalhe.”
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Izalci Lucas já tinha ouvido o título. Em 23/3/2026, presidindo a sessão, ouviu de Damares Alves: “Aqui quem lhes fala é a Senadora mais bonita do Brasil.” Em 25/9, apresentou-a como “nossa Senadora Damares”, sem o título, e foi cobrado na tribuna.
“Volte um pouquinho, porque eu não entendi muito bem.” x “Onde está a sua assessoria?”
Câmara, 23h57. A relatora leu um parecer por quase 37 minutos e perguntou se as palmas eram pelo projeto ou pelo fim da leitura. Cabo Gilberto: “Volte um pouquinho, porque eu não entendi muito bem.” Ela: “onde está a sua assessoria?”
Cabo Gilberto, à relatora que acabava de ler quase 37 minutos de parecer: “Volte um pouquinho, porque eu não entendi muito bem.” Rogéria Santos: “Deputado querido, se V.Exa. não entendeu, onde está a sua assessoria? Ela já foi embora?”
Rogéria Santos leu um parecer por quase 37 minutos e perguntou se as palmas eram pelo projeto ou pelo fim da leitura. Cabo Gilberto pediu que voltasse “um pouquinho”. Ela: “onde está a sua assessoria?”
“Eu já derrotei o chefe de vocês!”
Congresso, 30/4/2026, veto à dosimetria. Maria do Rosário: “Eu já derrotei o chefe de vocês!” A taquigrafia: “Flávio Bolsonaro! Flávio Bolsonaro!” Ela: “Podem gritar. Podem gritar.”
Davi Alcolumbre, presidindo o Congresso no meio da manifestação no plenário: “Não consigo abrir nem fechar o microfone. Excelências, V.Exas. são todos Congressistas.”
Davi Alcolumbre ao plenário do Congresso: “V.Exas. me permitem suspender a sessão?” O Diário anota a resposta: “Não.” Davi: “Não tem condições isso.”
“De terroristas vocês entendem”
Um leitor pediu a relação entre Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira na tribuna. Em 303 discursos, um disse o nome do outro em 11. Nenhum para atacar.
Congresso, 26/04/2023. Nikolas Ferreira: “Se for para levar em consideração investigação, 90% do PT não poderá compor a Comissão, até mesmo porque de terroristas vocês entendem.” Eduardo Bolsonaro: “Gostaria de reforçar as palavras Deputado Nikolas”.
Eduardo Bolsonaro, no dia seguinte ao discurso da peruca de Nikolas Ferreira: “Aquele foi, provavelmente, o melhor discurso desta Casa neste ano.”
“Ninguém quebrou nada. Vocês quebraram tudo.”
Câmara, 9/12/2025, noite. Lindbergh Farias a Hugo Motta: “O senhor é responsável pelo que aconteceu aqui no dia de hoje.” Alberto Fraga: “Ninguém quebrou nada. Vocês quebraram tudo.”
Enquanto Lindbergh cobrava Hugo Motta, o Diário da Câmara registra Luiz Lima: “Parabéns, Polícia Legislativa!” Coronel Assis: “Foi um grande trabalho da polícia.” Alberto Fraga: “A Polícia Legislativa merece aumento.”
Na Câmara, a taquigrafia anota um coro: “Hugo Motta! Hugo Motta! Hugo Motta!” Na tela da TV Câmara, ao lado do presidente, um homem bebe de um copinho branco.
“Não à rachadinha!” x “Coloque uma melancia na cabeça”
Câmara, 9/7/2025. Nikolas Ferreira sobe para ler a carta de Trump sobre a tarifa de 50%: “Eu vou ler a carta do Trump. É muito mais fácil.” No meio de “Quando nós estamos...”, a taquigrafia anota o coro: “Não à rachadinha!”
Nikolas Ferreira, na tribuna da Câmara: “Eu acho que existe algo que une a Esquerda e a Direita: ninguém gosta do Deputado Janones. Eu acho que isso é unânime, está certo?”
Enquanto a taquigrafia anotava tumulto, o narrador da TV Câmara dizia a quem via de casa que “a decisão do presidente Donald Trump em relação ao Brasil de taxação acaba repercutindo no plenário”.
“Está mal-humorado? Não fique não.”
Senado, 1/9/2026. Renan Calheiros, no 13º minuto de elogio a Pacheco: “soube nos conduzir em meio a uma tempestade...” Para. Fora do microfone, segundo as notas, Cid Gomes: “Está mal-humorado? Não fique não.”
Renan Calheiros, a Cid Gomes, no meio do parecer sobre Pacheco: “Eu estou querendo saber se você quer participar, se você quer participar.” Cid: “Está mal-humorado.” Renan: “Se quiser participar, é um prazer.”
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Depois de quase nove segundos de campainha, Renan Calheiros conclui: Pacheco soube “nos conduzir em meio a uma tempestade para ancorarmos em um porto seguro.” Resultado da votação para o TCU: 63 a 4.
“Cala a boca!” x “Quem cala a boca agora é V.Exa.!”
Câmara, 3/8/2022. Glauber Braga a Eduardo Bolsonaro: “Cala a boca, que eu estou falando agora!” Três minutos depois, aprovado o projeto, o autor Junio Amaral sobe à tribuna: “Quem cala a boca agora é V.Exa.!”
Enquanto Junio Amaral e Glauber Braga trocavam “canalha” na Câmara, o painel da TV Câmara dizia: “AGORA — Autor da proposta agradece aprovação da matéria.”
Junio Amaral fecha a fala na tribuna da Câmara: “Alagoas não é uma cidade, não, é um Estado. Vamos estudar geografia, meu filho! Obrigado.” Glauber Braga: “O rapaz é tão burro que ele não sabe...” A taquigrafia: (Apupos.)
“Quadrilha é o PT, rapaz!” x “Você é parte da quadrilha!”
Câmara, no meio do bate-boca entre Jorge Solla e José Medeiros. O presidente da sessão, Alexandre Frota: “Restavam 2 minutos?” Solla: “Três minutos.” Frota: “Três minutos? O.k.”
Alexandre Frota, presidindo a Câmara durante a briga da “quadrilha”, chama José Medeiros: “Deputado José Medeiros, por gentileza, sente-se aqui do meu lado e fique aqui comigo, meu amigo. Fique aqui comigo! Fique calmo!”
Cinco minutos depois de ser chamado para sentar ao lado do presidente da sessão, José Medeiros usa o seu minuto para reclamar de uma prova de laço cancelada pelo Ministério Público: “Nós já aprovamos aqui a vaquejada.”
“Ele está tomado pela mitomania, a mania de mentir.”
Câmara, 04/06/2019. Otoni de Paula (PSC-RJ): “Continuamos acreditando na honestidade do Senador Flávio Bolsonaro”. Em 2026, o mesmo Otoni critica ou ataca Flávio pelo nome em ao menos 15 sessões da Câmara.
Otoni de Paula, Câmara, 18/06/2024: “Senador Flávio, eu o respeito muito, mas não estou em pecado, não.” 03/02/2026: “Eu voto na Direita, mas não voto no Senador Flávio, repito, por sua fragilidade moral.”
Câmara, 19/05/2026, fala iniciada às 16h08. Otoni de Paula (PSD-RJ), sobre a CPI do Banco Master: “Agora o Flávio Bolsonaro está defendendo a CPI do Banco Master. [...] Flavinho, assina a CPI!” Nos discursos de Flávio no Senado, a busca não achou resposta.
“Esse criminoso chamado Glauber Braga” x “o Sr. Kim Kataguiri, mais uma vez, de forma covarde”
Câmara, 16/12/2024. Glauber Braga (PSOL-RJ): “Kim Kataguiri está fugindo deste debate de todo jeito”. 10/12/2025, Kim (UNIÃO-SP): “o teatro promovido pelo Deputado Glauber Braga”. Sessões em que cada um ataca ou cobra o outro pelo nome: Glauber 5, Kim 3.
Câmara, 13/11/2024. Glauber Braga (PSOL-RJ): “Presidente, o Deputado Kim Kataguiri está aqui no Plenário” [...] “O Deputado Kim Kataguiri vai manter o silêncio sobre essa questão?” É a primeira das 5 sessões contadas aqui, até 27/03/2025.
Câmara, 10/12/2025, 21h44. Kim Kataguiri (UNIÃO-SP): “não há nenhum Deputado neste plenário que queira mais ver o Deputado Glauber cassado do que eu.” E orienta “sim” à emenda de suspensão (6 meses, diz o resumo oficial da Câmara).
“Não vamos dizer que é idiota, não” x “Um Presidente cachaceiro [...] não vou nem falar”
Senado, 18/04/2016. Paulo Paim (PT-RS), sobre o que diz ter ouvido no debate da Câmara: “dizendo palavrões que eu não vou aqui repetir. Quem presidia era chamado - eu vou dizer, vou lembrar o que foi dito - de canalha, de ladrão para cima [...]”
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Câmara, 19/10/2022. Luizianne Lins (PT-CE), sobre Bolsonaro: “Não vamos dizer que é idiota, não, porque idiotice é muito pouco.” 23/03/2023, Coronel Chrisóstomo (PL-RO), sobre Lula: “Um Presidente cachaceiro [...] não vou nem falar.”
Em 43 falas do Congresso, o orador avisa que não vai dizer uma palavra; em 40, o insulto fica no registro. Cleitinho (REPUBLICANOS-MG), Senado: “eu não vou citar o nome desses canalhas, não, sabe por quê? Porque amanhã vem Comissão de Ética para mim”
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“Nós o respeitamos” x “irresponsável e desqualificado Deputado Janones”
Câmara, 29/03/2023, 17h00. Cabo Gilberto Silva (PL-PB) sobre André Janones: “mas nós o respeitamos”. Na frase seguinte: “o comportamento irresponsável do Deputado André Janones”. Em 06/05/2025: “desse irresponsável e desqualificado Deputado Janones”.
Câmara, 15/02/2023. Zé Trovão (PL-SC): “Eu queria lembrar ao nobre Deputado do PT Helder Salomão que as informações que ele traz neste plenário, além de falsas, são mentirosas”. Em 06/03/2024: “O nosso nobre amigo desta Casa Deputado Helder Salomão”.
Câmara, 31/10/2023, 22h28. Chico Alencar (PSOL-RJ): “Esse argumento raso, demagógico, baixo, como o usado pelo Deputado Kim Kataguiri, que é um Deputado de alto nível”. Os adjetivos vão para o argumento; o “alto nível”, para o deputado.
“Um lado em que estão os criminosos é um lado; o nosso lado é o outro lado”
Senado, 15/10/2026, debate do MEI. Rogerio Marinho, depois de dizer “vou concluir” oito vezes: “Então, um lado em que estão os criminosos é um lado; o nosso lado é o outro lado.”
Davi Alcolumbre, depois do bate-boca sobre os presos que votaram em Lula: “A sociedade está doente, e a gente está sendo contaminado por essa doença de ofensas e de agressões de todos os lados.” E: “eu vou ser obrigado a cortar o microfone.”
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O relator do projeto do MEI, Carlos Fávaro, passou o bate-boca de pé na tribuna. Quando falou: “com toda a paciência de estar aqui, em pé, relatando, debatendo”. Resultado: 78 a 0.