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Apupos

O que o plenário grita, palavra por palavra.

É assim, entre parênteses, que a taquigrafia do Congresso anota a vaia no registro oficial: (Apupos.)

Edição nº 7 · terça-feira, 20 de outubro de 2026

Contradições estranhasDiploma de ida e volta

“Presidente Lula, volte aos bancos escolares”

Diploma não se desfaz, mas 33 parlamentares declararam ao TSE curso superior completo numa eleição e incompleto numa seguinte: uma das duas declarações de cada um é falsa. Um deles, Bibo Nunes (PL-RS), é o autor da frase do título, dita a Lula na Câmara.

Redação do Apuposdados até 20/10/2026

33parlamentares com superior completo numa ficha do TSE e incompleto numa ficha seguinteLer a matéria →

Placar da edição

  1. 33parlamentares com superior completo numa ficha do TSE e incompleto numa ficha seguinteDiploma de ida e volta
  2. 3vezes em que o grau de instrução mudou nas fichas de Bibo ao TSE, de 1994 a 2026O diploma do outro
  3. 3ºlugar de Esperidião Amin em outubro, na disputa pelas duas vagas de Santa Catarina no SenadoA reeleição perguntada
  4. 9 minentre a cobrança de Damares e a correção de Izalci, pelo relógio do telãoO título que faltou
  5. 36 min 49 sde parecer lido em voz alta, das 23h20 às 23h56, antes das palmasO parecer da meia-noite
  6. 318 × 144na Câmara, pela derrubada do veto à dosimetriaSessão do Congresso
  7. 11discursos em que um disse o nome do outro na tribuna; nenhum para atacarSem ataque na tribuna
  8. 1h07entre “Eu irei me pronunciar sobre o ocorrido” e o pronunciamento de Hugo MottaA sessão da noite
  9. 3:23no cronômetro da tribuna enquanto Nikolas dizia que ia “aguardar”Liderança da Oposição
  10. 13 minde elogio, com a câmera sem sair de Renan, antes do primeiro corteO relator e o indicado
  11. 0,3 sentre o protesto de Glauber e o “Quem cala a boca agora é V.Exa.!” de JunioA palavra do autor
  12. 3 mino tempo que Frota devolveu a Solla depois de perguntar “Restavam 2 minutos?”Pequeno Expediente
  13. 15sessões, ao menos, da Câmara em 2026 em que Otoni de Paula critica ou ataca Flávio Bolsonaro pelo nome; fala de Flávio sobre Otoni na tribuna do Senado: nenhuma achadaIda, sem resposta achada
  14. 8sessões da Câmara em que um ataca ou cobra o outro pelo nome: 5 de Glauber Braga sobre Kim Kataguiri, 3 de Kim sobre GlauberIda e volta
  15. 40vezes em que o orador avisou que não ia dizer uma palavra ou um nome, e o insulto ficou escrito no registro (de 43 avisos)Não vou dizer
  16. 1caso em que “nós o respeitamos” e o insulto vão para a mesma pessoa, entre os que uma busca automática por palavras separou em cerca de 70 mil falas de deputados, lidos um a umNobre colega
  17. 8vezes em que Marinho disse “vou concluir” antes de concluirOs dois lados

Brigas recorrentes

O par que sempre se pega, o tema que sempre explode.

A sessão da noite

“Ninguém quebrou nada. Vocês quebraram tudo.”

Câmara, 9 de dezembro de 2025: na sessão da noite, Lindbergh Farias (PT-RJ) disse ao presidente Hugo Motta que ele era responsável pelo que tinha acontecido à tarde; o Diário põe Alberto Fraga (PL-DF) respondendo “Vocês quebraram tudo”. Motta falou sobre o caso uma hora e sete minutos depois.

1h07 · entre “Eu irei me pronunciar sobre o ocorrido” e o pronunciamento de Hugo Motta

A palavra do autor

“Cala a boca!” x “Quem cala a boca agora é V.Exa.!”

Câmara, 3 de agosto de 2022: na votação de um projeto de Junio Amaral (PL-MG), Glauber Braga (PSOL-RJ) mandou Eduardo Bolsonaro calar a boca; aprovado o projeto, o autor subiu à tribuna e devolveu: “Quem cala a boca agora é V.Exa.!”

0,3 s · entre o protesto de Glauber e o “Quem cala a boca agora é V.Exa.!” de Junio

Pequeno Expediente

“Quadrilha é o PT, rapaz!” x “Você é parte da quadrilha!”

Câmara, 4 de junho de 2019: Jorge Solla (PT-BA) chamou o governo de quadrilha, José Medeiros (Podemos-MT) devolveu na hora, um grupo ficou de pé no corredor e o presidente da sessão, Alexandre Frota, chamou Medeiros para sentar ao lado dele. Logo depois, a cadeira aparece vazia.

3 min · o tempo que Frota devolveu a Solla depois de perguntar “Restavam 2 minutos?”

Ida, sem resposta achada

“Ele está tomado pela mitomania, a mania de mentir.”

Em 2026, o deputado Otoni de Paula (RJ) critica ou ataca o senador Flávio Bolsonaro pelo nome em ao menos 15 sessões da Câmara. Em 2019, defendia a “honestidade” dele na mesma tribuna. Nos discursos de Flávio no Senado, a busca não achou resposta.

15 · sessões, ao menos, da Câmara em 2026 em que Otoni de Paula critica ou ataca Flávio Bolsonaro pelo nome; fala de Flávio sobre Otoni na tribuna do Senado: nenhuma achada

Os dois lados

“Um lado em que estão os criminosos é um lado; o nosso lado é o outro lado”

Senado, 15 de outubro de 2026: no debate do projeto do MEI, Rogerio Marinho disse que 73% dos presos votaram em Lula, o plenário respondeu fora do microfone, Davi Alcolumbre ameaçou cortar o microfone, e o relator assistiu a tudo de pé. O projeto passou por 78 a 0.

8 · vezes em que Marinho disse “vou concluir” antes de concluir

Inimigos íntimos

Quem cita quem, quem responde a quem, o apelido que volta.

A reeleição perguntada

“Todos eles apoiam a sua reeleição, sim ou não?” x “O voto é secreto, Presidente.”

Senado, 20 de maio de 2026: Jorge Kajuru perguntou se os prefeitos e vereadores catarinenses que Esperidião Amin acabara de chamar pelo nome apoiavam a reeleição dele, e Amin respondeu, duas vezes, que o voto é secreto. Em outubro, Amin ficou em terceiro em Santa Catarina e não volta ao Senado.

3º · lugar de Esperidião Amin em outubro, na disputa pelas duas vagas de Santa Catarina no Senado

Sem ataque na tribuna

“De terroristas vocês entendem”

Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira, os dois do PL, disseram o nome um do outro em 11 discursos na tribuna, nenhuma vez para atacar. Em 2023, Eduardo reforçou as palavras de Nikolas; em 2025, Nikolas pôs Eduardo numa fila de “Era só...” em que o presidente da sessão interveio cinco vezes.

Crônica11 · discursos em que um disse o nome do outro na tribuna; nenhum para atacar

Nobre colega

“Nós o respeitamos” x “irresponsável e desqualificado Deputado Janones”

Câmara: em 29/03/2023, Cabo Gilberto Silva (PL-PB) disse que respeitava André Janones (Avante-MG); em 06/05/2025, pediu à Mesa que suspendesse o mandato dele. Nas falas lidas, é o único caso de cortesia e insulto à mesma pessoa.

1 · caso em que “nós o respeitamos” e o insulto vão para a mesma pessoa, entre os que uma busca automática por palavras separou em cerca de 70 mil falas de deputados, lidos um a um

Sessões atípicas

Madrugada, sessão suspensa, plenário vazio, recorde de pela-ordem.

O título que faltou

“Eu sou a Senadora mais bonita do Brasil.”

Senado, 25 de setembro de 2026: Damares Alves cobrou da tribuna que Izalci Lucas, que presidia, não a tinha apresentado como “Senadora mais bonita do Brasil”; ele pediu desculpas, ela respondeu “Por enquanto”, e nove minutos depois ele corrigiu.

9 min · entre a cobrança de Damares e a correção de Izalci, pelo relógio do telão

Sessão do Congresso

“Eu já derrotei o chefe de vocês!”

Congresso, 30 de abril de 2026, na votação que derrubou o veto à dosimetria: Maria do Rosário (PT-RS) disse que já tinha derrotado Jair Bolsonaro, a taquigrafia registrou gritos de “Flávio Bolsonaro!”, e Davi Alcolumbre passou quase dois minutos dizendo que o som travava.

318 × 144 · na Câmara, pela derrubada do veto à dosimetria

Liderança da Oposição

“Não à rachadinha!” x “Coloque uma melancia na cabeça”

Câmara, 9 de julho de 2025: o deputado do PL subiu para falar da tarifa de 50%, foi interrompido, passou a falar de André Janones, esperou o cronômetro correr e teve o som cortado no meio de “você vai ser esquecido”. Enquanto isso, a votação dos 40 cargos do STF seguia aberta.

3:23 · no cronômetro da tribuna enquanto Nikolas dizia que ia “aguardar”

O relator e o indicado

“Está mal-humorado? Não fique não.”

Senado, 1º de setembro de 2026: no parecer que levou Rodrigo Pacheco ao TCU, Renan Calheiros parou no meio de uma tempestade, ouviu fora do microfone “Está mal-humorado?” e só chegou ao porto seguro depois da campainha mais longa do parecer. Pacheco passou por 63 a 4.

13 min · de elogio, com a câmera sem sair de Renan, antes do primeiro corte

Contradições estranhas

A mesma pessoa dizendo o contrário; o elogio que vira ataque.

O diploma do outro

“Notória ignorância”

Diploma não se desfaz: Bibo Nunes (PL-RS) declarou ao TSE curso superior completo em 2014 e 2016 e incompleto em 2018 e 2022. Em 2024, com a ficha dizendo incompleto, foi à tribuna mandar Lula voltar aos bancos escolares.

3 · vezes em que o grau de instrução mudou nas fichas de Bibo ao TSE, de 1994 a 2026

Tweets da edição

Prontos para postar: cada um cabe em 280 caracteres, com a fonte oficial e o link.

Diploma não se desfaz. Mesmo assim, 33 parlamentares declararam ao TSE curso superior completo numa eleição e incompleto numa seguinte. Em cada caso, uma das duas declarações é falsa.

TSE, candidaturas de 1994 a 2026207/280

Bibo Nunes declarou ao TSE curso superior completo em 2014 e incompleto em 2018. Diploma não se desfaz: uma das fichas é falsa. Em 2024, na tribuna, mandou Lula voltar “aos bancos escolares”.

TSE, 1994–2026; Câmara, 20/03/2024215/280

Senado, 20/5/2026. Kajuru pergunta se os prefeitos e vereadores de SC que Esperidião Amin acabara de nomear apoiam a reeleição dele. Amin: “O voto é secreto, Presidente.” (Risos.) Em outubro, Amin ficou em 3º em SC, fora do Senado.

Senado, 20/05/2026; TSE, 04/10/2026255/280

Senado, 25/9/2026. Izalci Lucas chamou Damares Alves de “minha querida amiga e nossa Senadora Damares”. Ela: “o senhor se esqueceu de informar ao Plenário que eu sou a Senadora mais bonita do Brasil.” Ele: “Desculpe, Senadora.” Ela: “Por enquanto.”

Senado, 25/09/2026, 15h39272/280

Câmara, 23h57. A relatora leu um parecer por quase 37 minutos e perguntou se as palmas eram pelo projeto ou pelo fim da leitura. Cabo Gilberto: “Volte um pouquinho, porque eu não entendi muito bem.” Ela: “onde está a sua assessoria?”

Câmara, 15/10/2025, 23h57257/280

Congresso, 30/4/2026, veto à dosimetria. Maria do Rosário: “Eu já derrotei o chefe de vocês!” A taquigrafia: “Flávio Bolsonaro! Flávio Bolsonaro!” Ela: “Podem gritar. Podem gritar.”

Congresso Nacional, 30/04/2026, 15h05205/280
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