Brigas recorrentesOs dois lados
“Um lado em que estão os criminosos é um lado; o nosso lado é o outro lado”
Senado, 15 de outubro de 2026: no debate do projeto do MEI, Rogerio Marinho disse que 73% dos presos votaram em Lula, o plenário respondeu fora do microfone, Davi Alcolumbre ameaçou cortar o microfone, e o relator assistiu a tudo de pé. O projeto passou por 78 a 0.
8vezes em que Marinho disse “vou concluir” antes de concluir
Quinta-feira, 15 de outubro de 2026, Senado, pouco antes das 18h. Em discussão, o projeto do MEI, que governo e oposição dizem que vão votar. Preside Davi Alcolumbre (União-AP), que não disputou a eleição e tem mandato até 2031 (abre em nova aba). Na tribuna, de pé, espera o relator, Carlos Fávaro (PSD-MT), que ficou em quarto na disputa pelo Senado em Mato Grosso (abre em nova aba): Davi lhe perguntou, “por questão de humanidade”, se queria “se acomodar”, e ele ficou.
Randolfe Rodrigues (PT-AP), que perdeu a reeleição em outubro, em terceiro lugar no Amapá (abre em nova aba), provoca a oposição: “E vocês estão de um mau humor danado”. E fecha: “Esse Lula é danado de bom.” O líder da oposição, Rogerio Marinho (PL-RN), que também não disputou e fica até 2031 (abre em nova aba), pede a palavra (“porque foi citado”, explica Davi) e abre com “eu estava com saudade de V. Exa.”
A saudade passa do tempo. Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), reeleito pela Paraíba (abre em nova aba), reclama fora do microfone: “Ele falou dez, mais dez...” Davi: “Não falou, não falou.” Marinho pede para concluir “em homenagem à democracia” três vezes e diz “vou concluir” oito vezes. Então conclui: “De um lado, nós temos um partido em que 73% dos presos votaram em Lula agora na eleição - 73%. Então, um lado em que estão os criminosos é um lado; o nosso lado é o outro lado.”
A taquigrafia anota (Intervenção fora do microfone.) e (Soa a campainha.) Marinho insiste: “Isso é um dado: 73% da população carcerária votou no Lula. Isso é um fato.” Vêm (Intervenções fora do microfone.) A TV corta para a Mesa: na tribuna, mãos juntas, o relator segue de pé. No áudio, vozes que a câmera não mostra falam em “milicianos”. Em close, Davi olha para baixo.
Depois, com a campainha: “Eu queria pedir... Eu queria pedir... Eu queria pedir a V. Exas...” Até que sai: “A sociedade está doente, e a gente está sendo contaminado por essa doença de ofensas e de agressões de todos os lados.” Se a palavra servir para um senador ofender o outro, “eu vou ser obrigado a cortar o microfone. Eu não quero fazer isso, porque senão atrapalha.”
Enfim o relator fala, e lembra a espera: “com toda a paciência de estar aqui, em pé, relatando, debatendo”. Perto das 18h50, o projeto do MEI vai ao painel: “Votaram SIM 78 Senadores e Senadoras; NÃO, nenhum.”
Como fizemos
Lemos as notas taquigráficas da sessão do Senado de 15 de outubro de 2026, das 17h36 às 18h08 e da votação, perto das 18h50, e assistimos ao vídeo oficial da TV Senado do trecho, segundo a segundo, com o áudio transcrito duas vezes (legenda automática do YouTube e Whisper). As falas entre aspas estão palavra por palavra nas notas, que não dão nome a quem falou fora do microfone depois da frase. Os “milicianos” são o que as duas transcrições ouvem no áudio da transmissão; o relator de pé e Davi de olhos baixos são o que o vídeo mostra, no ponto indicado nos links. O número dos presos é o da reportagem da /eleicoes, refeito a partir dos arquivos do TSE.
O que não dá para afirmar
- Quem falou fora do microfone depois da frase de Marinho, nem as palavras exatas: a TV mostrava a Mesa e o presidente, sem legenda, e as vozes se sobrepõem.
- De onde Marinho tirou o número dos 73%: ele não disse.
- A quem Davi se referia com “a sociedade está doente”: ele disse “de todos os lados”.
Fontes
A rede
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Senado, 15/10/2026, debate do MEI. Rogerio Marinho, depois de dizer “vou concluir” oito vezes: “Então, um lado em que estão os criminosos é um lado; o nosso lado é o outro lado.”
Davi Alcolumbre, depois do bate-boca sobre os presos que votaram em Lula: “A sociedade está doente, e a gente está sendo contaminado por essa doença de ofensas e de agressões de todos os lados.” E: “eu vou ser obrigado a cortar o microfone.”
www25.senado.leg.br/web/atividade/notas-taquigraficas/-/notas/s/591273 (abre em nova aba)
O relator do projeto do MEI, Carlos Fávaro, passou o bate-boca de pé na tribuna. Quando falou: “com toda a paciência de estar aqui, em pé, relatando, debatendo”. Resultado: 78 a 0.
As marcas desta matéria
Cada marca da taquigrafia citada aqui tem página: quantas vezes o plenário a ouviu e as outras peças que a citam.
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