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Apupos

O que o plenário grita, palavra por palavra.

Brigas recorrentesA palavra do autor

“Cala a boca!” x “Quem cala a boca agora é V.Exa.!”

Câmara, 3 de agosto de 2022: na votação de um projeto de Junio Amaral (PL-MG), Glauber Braga (PSOL-RJ) mandou Eduardo Bolsonaro calar a boca; aprovado o projeto, o autor subiu à tribuna e devolveu: “Quem cala a boca agora é V.Exa.!”

Redação do Apuposdados até 03/08/2022

0,3 sentre o protesto de Glauber e o “Quem cala a boca agora é V.Exa.!” de Junio

Quarta-feira, 3 de agosto de 2022, fim de tarde na Câmara. Está em votação um projeto de Junio Amaral (PL-MG) — reeleito em 2026 como o 70º mais votado de Minas, estado de 53 cadeiras — que cria uma qualificadora para o furto cometido em situação de calamidade. Subtenente Gonzaga (PSD-MG), que ficou como suplente na eleição de 2022 e se elegeu em 2026 pelo PL, acaba de dizer: “O furto famélico não é punido. É excludente de ilicitude quando se caracteriza o furto famélico.” Glauber Braga (PSOL-RJ), reeleito em 2026 com voto em todos os 92 municípios do Rio, pede a palavra pela Minoria: “Presidente, eu queria saber onde é que o Deputado vive, porque diariamente pessoas são condenadas por aquilo que é considerado, sim, furto famélico.”

Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que não disputou a eleição de 2026, interrompe: “Eu pensei que o PSOL já tinha orientado, Presidente.” Glauber responde: “Cala a boca, que eu estou falando agora! Cala a boca! Aqui você não é o filho do Presidente da República, não!” A taquigrafia escreve (O microfone é desligado.)

O presidente da sessão, Lincoln Portela (PL-MG), reeleito em 2026, pede “que nós mantivéssemos o clima” e que se evitasse “levar determinadas expressões para o campo pessoal”. Glauber explica: “É só o filho do Presidente da República não tentar me interromper ao microfone.”

O projeto passa: “SIM: 408; NÃO: 9”. Portela: “Concedo a palavra agora ao autor”. Glauber protesta: “Presidente, não existe esse espaço no Regimento.” Três décimos de segundo depois, da tribuna:

Quem cala a boca agora é V.Exa.!

Junio AmaralPL-MGCâmara, 16h50Ver no registro oficial (abre em nova aba)Ao deputado Glauber Braga, que protestava contra a palavra dada ao autor do projeto.

A taquigrafia escreve (O microfone é desligado.) A transmissão fica dez segundos e meio em silêncio, com a câmera parada em Junio, de pé, mãos na tribuna. Portela decide que o autor fala, por ser “uma boa praxe e de bom alvitre, como dizem os antigos”, e arremata: “Obrigado, Deputado Glauber.” A taquigrafia anota palmas.

Junio retoma: “Quem cala a boca agora são os defensores de marginais, que insistem, nesta Casa, em resistir às principais mudanças que podem e que vão atender à população brasileira...” Glauber: “O maior marginal do Brasil é o Sr. Jair Bolsonaro e sua milícia...” Junio tenta de novo, o microfone cai, e ele completa: “Nem citei o nome do defensor de marginais. A carapuça serve fácil demais!” Cai mais um. Na tela, ao lado dele, a TV Câmara põe um painel verde com a palavra “AGORA” e a frase “Autor da proposta agradece aprovação da matéria.” Junio diz, sorrindo: “Nada mais canalha do que um marginal aproveitar essa situação para levar vantagem. Para proteger essa gente, tem que ser muito mais que canalha.” Glauber: “O maior canalha do Brasil é quem defende o Sr. Jair Bolsonaro. Não há canalha maior!”

Quase cinco minutos antes, Glauber tinha falado de um aliado “lá no Município de Alagoas”. Para terminar, Junio diz: “Alagoas não é uma cidade, não, é um Estado. Vamos estudar geografia, meu filho! Obrigado.” Vira as costas e sai da tribuna. No mesmo segundo, Glauber: “O rapaz é tão burro que ele não sabe...” A taquigrafia escreve (Apupos.) (O microfone é desligado.) Quem vaiou, a transmissão não deixa ouvir: só vozes sobrepostas.

Como fizemos

Lemos a sessão no Diário da Câmara de 4 de agosto de 2022, do começo da votação ao item seguinte, e assistimos ao vídeo oficial da TV Câmara do trecho, quadro a quadro, com o áudio transcrito. As falas entre aspas estão palavra por palavra no Diário. O silêncio da transmissão, o painel verde, o sorriso e a saída da tribuna são o que o vídeo mostra, no ponto indicado nos links.

O que não dá para afirmar

  • Quem vaiou, nem o que foi o apupo: o áudio da transmissão só traz vozes sobrepostas, e a câmera está na Mesa e em Glauber.
  • A quem Junio chamou de “defensores de marginais”: ele diz que não citou nome.
  • “Marginal”, “milícia” e “canalha”, de um lado e de outro, são afirmações de quem falou. O Apupos não verifica cada afirmação.
  • Quem desligou cada microfone: o Diário só anota que foi desligado.

Fontes

  1. Diário da Câmara, 04/08/2022, p. 190–191: “Cala a boca” e o “filho do Presidente da República” (abre em nova aba)
  2. Diário da Câmara, 04/08/2022, p. 192–193: a palavra ao autor e “Quem cala a boca agora é V.Exa.!” (abre em nova aba)
  3. Diário da Câmara, 04/08/2022, p. 194: “Vamos estudar geografia, meu filho!” e (Apupos.) (abre em nova aba)
  4. Vídeo oficial da sessão (TV Câmara, YouTube), o primeiro “Cala a boca” (abre em nova aba)

A rede

Tweets desta matéria

Câmara, 3/8/2022. Glauber Braga a Eduardo Bolsonaro: “Cala a boca, que eu estou falando agora!” Três minutos depois, aprovado o projeto, o autor Junio Amaral sobe à tribuna: “Quem cala a boca agora é V.Exa.!”

Câmara, 03/08/2022, 16h47 e 16h50232/280

Enquanto Junio Amaral e Glauber Braga trocavam “canalha” na Câmara, o painel da TV Câmara dizia: “AGORA — Autor da proposta agradece aprovação da matéria.”

TV Câmara, 03/08/2022, 16h52179/280

As marcas desta matéria

Cada marca da taquigrafia citada aqui tem página: quantas vezes o plenário a ouviu e as outras peças que a citam.

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